o que
E dessa vez é para ir ao encontro de forças do futuro, forças cósmicas. Lançamo-nos, arriscamos uma improvisação. Mas improvisar é ir ao encontro do Mundo, ou confundir-se com ele. Saímos de casa no fio de uma cançãozinha.
Gilles Deleuze & Felix Guattari, “Acerca Do Ritornelo”, in Mil Platôs Vol. 4
Ritornelo é um refrão, um estribilho. Para muitos, o ápice de uma música; o segredo de uma boa canção. Para os filósofos franceses de quem empresto a citação acima, mais do que uma célula que se repete e nos faz seguir a melodia, o ritornelo conduz a uma espécie de lugar entre o “eu” e “o que está fora de mim” (o outro, o mundo), em que essa conexão (interior/exterior) parece fazer sentido – ao menos momentaneamente.
Ok. Não é tão simples o conceito de Deleuze e Guattari. Mas nem me considero confortável para filosofar mais a respeito, nem creio que isto seja necessário. Tem a ver com conceitos de terra, território, caos, cosmos, caosmos… com o eterno retorno. Tem a ver com o canto dos pássaros para demarcar limites territoriais, com a criança cantarolando no escuro para se acalmar e com a música que escutamos para nos dar força nas tarefas diárias.
Tem a ver com o conforto que a música traz e com a comunhão que ela permite.
E, por isso, inspira o nome deste espaço.
Ritornelos é um bloco de anotações, onde pretendo compartilhar observações sobre música, cultura e comportamento nesta nossa época caótica, de crises, revoluções e transições. Há muitas perguntas para respostas difusas – confusas, ainda.
Para entender o que está acontecendo, é preciso dar voltas por aí. Assim, cada post é como uma “volta”, um pequeno retorno, um ritornelo sobre alguma idéia ou experiência interessante, aberto a discussão, colaborações, diálogos.
